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Parla!:
Terça-feira, Dezembro 9
O POETA (Rainer Maria Rilke)
Já te despedes de mim, Hora.
Teu golpe de asa é meu açoite.
Só: da boca o que faço agora?
Que faço do dia, da noite?
Sem paz, sem amor, sem teto,
caminho pela vida afora.
Tudo aquilo em que ponho afeto
fica mais rico e me devora.
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NASCIMENTO DE VÊNUS (Ranier Maria Rilke)
Esta manhã, depois que a noite inquieta/
esmoreceu entre urros, sustos, surtos -/
o mar ainda mais uma vez se abriu e uivou./
E quando o grito aos poucos foi cessando/
e do alto o dia pálido emergente/
caiu no vórtice dos peixes mudos -/
o mar pariu./
Ao sol reluzem os pelos de espuma/
do amplo ventre da onda, em cuja borda/
surge a mulher, alva, trêmula e úmida./
E como a folha nova que estremece,/
se estira e rompe aos poucos a clausura,/
ela vai desvelando o corpo à brisa/
e ao vento intacto da manhã./
Como luas erguem-se os joelhos claros,/
résteas de nuvem soltam-se das coxas,/
das pernas caem pequeninas sombras,/
os pés se movem bêbados de luz,/
vibram as juntas como gorgolhantes /
gargantas./
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II, 29 (Rainer Maria Rilke)
Amigo silencioso da distância,/
sente o teu sopro dilatando o espaço./
Na caixa dos sinos baços, do teu cansaço,/
deixa-te ressoar. O que era em ti substância/
torna-se, assimilado, mais forte que tudo./
Vai e vem na metamorfose. Qual o espinho/
de tuas experiências mais agudo?/
Se beber te é amargo, faz-te vinho./
Na noite além de todas as medidas, ousa/
ser a magia da encruzilhada dos sentidos,/
o sentido de teus encontros impressentidos./
E se o que é terrestre te olvidou,/
diz: "eu corro" à terra que repousa/
e diz à água rápida: "eu sou"./
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Este corpo selvagem/
Fura o urbano/
Faz a viagem/
(Rubens Alves)
Verde grama. Grama verde./
Grama para ser amado./
Verde gramado./
(Rubens Alves)
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Domingo, Dezembro 7
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Perguntei a um sábio,
a diferença que havia entre amor e amizade.
Ele me disse essa verdade:
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas ,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com grandes amigos,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem amigos como você...
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração."
Beijos com muito carinho
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Sexta-feira, Dezembro 5
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LUGARES ONDE EU GOSTARIA DE ESTAR AGORA!
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Quinta-feira, Dezembro 4
TERRA (Claudia Garrocini)
Terra sorri/
Quando cai a chuva/
Permeando o chão/
Reluzindo o grão/
E na janela/
Um olhar pousado/
Sobre a plantação/
Esperando que a semente /
Floresça e vire pão/
Ou simplesmente uma cor/
Pra passear/
Borboleta alimentar/
Os olhos de quem vê/
Chuva que cai/
Esperança nessa água/
Harmonia que sacia/
Neste dia e deságua/
Flor desse querer/
Cheiro de mato/
Minha fantasia/
Ver o chão molhado/
Ajuda a crescer/
Eu não podia ter enamorado/
Sol e lua me confunde /
No amanhecer/
Dia que brilha/
Verde caminhada/
A semente brota/
Dentro do meu ser/
Então eu venço/
Me convenço do futuro/
Uma flor molhada/
Pensando em você./
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HOJE (Claudia Garrocini)
Capitalismo acordou de férias/
Não há permuta, venda, troca, compra/
Ta tudo parado/
Pessoal da bolsa congelado/
Seu dinheiro acabado/
Tudo que era mercado/
Hoje deixou de ser/
Nossas moedas/
Hoje são pedrinhas/
Coloridas e brilhantes/
Nem pretendo entender/
Mas sei que neste instante/
Nem real nem debêntures/
Cotação do dólar/
Prestação da casa/
Poupança sagrada/
Aplicação em nada/
Nem quero saber/
Hoje existe é felicidade/
E nesta cidade eu quero viver/
Nosso desejo se transforma/
Feito mágica/
Não tem pobre nem rico/
Você precisa ver/
Estamos livres dessa papelada/
Extrato, conta, cheque, promissória/
Não há nada/
Ninguém sabe por que/
Por um momento /
Isso tudo foi embora/
Pra fazer lembrar/
Que outrora/
O importante era você/
Então esqueça minha utopia/
Esse dia imaginário/
Que acordei pensando/
No que pulsa e faz querer/
O seu dinheiro já não paga meu sorriso/
Tudo que eu preciso/
É aprender viver./
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VERDADE (Claudia Garrocini)
Mentimos para nós mesmos/
Criamos sonhos e/
Alimentamos vãs esperanças/
Ocultamos tudo de melhor/
E expomos quem não somos/
Falamos da vitória que não tivemos/
Dos momentos que não vivemos/
Estranhos/
Ficamos tão perto/
Nossos corpos tão próximos/
E fizemos nossa história/
De bolha de sabão /
Linda, translúcida/
Capaz de mostrar/
Um brilho de arco-íris.../
Frágil/
Nossa história explodiu/
Ninguém viu/
Ninguém entendeu/
Você não existia/
E eu/
Não era eu./
Parla!:
MUTANTES (Claudia Garrocini)
Enquanto dormem os mutantes/
Caminham distantes/
Os tempos de festa/
Já Nada me resta/
Nem sonho de orquestra/
Nenhum diamante/
Eu vivo apressada/
Sem tempo para nada/
Sem poder te ver/
Ainda escuro/
Esbarro mo muro/
Tentando entender/
Que a chuva tão fina/
A Lua menina/
Qualquer purpurina
Me fazem lembrar/
De um mundo tão raro/
Que pelo contrário/
Não pode voltar/
Ainda que eu quisesse ser bem vinda/
As coisas mudaram para você/
Não tenho o mesmo jeito de menina/
E mesmo assim eu quero reviver/
Um pouco mais dessa dose de ironia/
Uma pitada de descaso vai fazer/
A minha ilusão se dissipar feito poeira/
Que besteira/
Insistindo em te tocar./
E mesmo que as coisas se acertassem/
A tua liberdade em me buscar/
Na minha direção você viria/
Como foguete de isopor à beira mar./
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